A novela das 7 após 7 dias

Hoje a novela “Deus Salve o Rei”, da Rede Globo, completa 7 dias desde sua estreia.

Ao contrário do que diziam as críticas antecipadas do fim de semana anterior, a novela é simplesmente maravilhosa. Fotografia arrebatadora, música encantada, figurino impecável, uma trama interessante… Claro, se só o primeiro capítulo tivesse sido muito bom, logo se perceberia o velho truque da “amostra grátis”, tão comum em novelas… Mas o fato é que, além de um primeiro capítulo apaixonante, a novela manteve a qualidade e o ritmo ao longo de mais de uma semana. Ou seja, parece que vai ser uma daquelas que segurará o telespectador do início ao fim.

Então por que as críticas antecipadas? Eu penso que são os velhos linchadores de plantão. Esse tipo de pessoa não é uma novidade exclusiva dos  tempos cibernéticos atuais. Se procurarmos ao longo da História, sempre há  aqueles que torcem antecipadamente para que um projeto dê errado, só porque não são eles os autores, só porque os louros da vitória não virão para suas cabeças. Como disse Tom Jobim, “no Brasil, sucesso é ofensa pessoal.”  O problema é que a velocidade vertiginosa das redes sociais aumentou muito esse fenômeno:  a maledicência  agora se expande em dimensões planetárias.

 

A novela tem efeitos visuais sofisticadíssimos e um trabalho de ambientação primoroso, que nada fica a dever às  grandes produtoras americanas. Então… não seria a crítica um mero preconceito tolo e mesquinho contra uma produção nacional?

 

“Ah, é da Globo.”  E isso é argumento contra?! A Rede Globo é uma empresa brasileira, que produz obras, gera empregos e paga impostos aqui no Brasil. Deveríamos ficar felizes por isso! A novela tem um verdadeiro exército de profissionais, desde trabalhadores manuais até criadores de arte e administradores e gestores de projeto. Em um momento de crise nacional, e com o Estado do RJ falido por corrupção e incompetência, deveríamos ser gratos porque um empreendimento está trazendo empregos e gerando renda. Sim, um empreendimento: é preciso muita dedicação, investimento, esforço hercúleo para tocar um projeto desses com qualidade, do início até o fim.

 

E antes que venha a primeira pedrada na minha direção: não, eu não sou defensora da Globo, nem da emissora X ou Y. Sou professora, a Globo não é minha cliente, não tenho nenhuma relação pessoal, profissional ou de qualquer tipo com ela.  Apenas gosto de assistir a novelas e minisséries, desde que sejam inteligentes e tenham algum conteúdo. Porque após um dia inteiro de aulas, chego a casa bem tarde da noite e assisto ao capítulo no site da emissora. Se a novela ou série não for muito boa, eu  mudo de site ou adormeço em cima do teclado…  Por enquanto, a nova novela das 7 (que eu assisto às 11 da noite) tem me cativado a cada cena.

 

Sou de uma época em que, se você quisesse assistir a um bom filme (principalmente um filme temático, “de época”), você tinha que se deslocar de sua casa  e desembolsar uma boa “grana” (gíria da época) para ir ao cinema. E isso quando estava passando algum filme bom… Não dava para escolher quando. Um tempo depois, vieram os primeiros “vídeo cassetes”;  e aí era a galera toda a se reunir, com pizza, pipoca e refri,  na casa de algum amigo ou amiga de família mais abastada, porque tanto o aparelho quanto as fitas (alugadas em um vídeo clube) eram muito caros…  Hoje eu vejo como são abençoadas as pessoas  do terceiro milênio: basta um clique e, sentado em sua poltrona favorita, qualquer um pode assistir ao que quiser. E não precisa esperar: pode acessar provedores e “baixar” os filmes e séries, e deixar para assistir quando quiser, dublado ou legendado. Agora não somente a pizza, mas tudo é à moda da casa e ao gosto do freguês.

 

Ou talvez nem tão abençoados assim… Talvez tenha sido exatamente essa facilidade para se conseguir qualquer coisa o que tornou a vida monótona, sem emoção…  Daí nem mesmo uma boa série, novela ou filme consegue produzir qualquer efeito nas mentes que já se entediaram com tudo. De fato, a única coisa que uma mente preguiçosa consegue pensar (e dizer) é a crítica. Crítica quase sempre infundada. E quase sempre para afundar o criticado.

 

Eu alerto: gente, uma emissora de TV aberta está investindo horrores para produzir uma novela bonita, com temática medieval (não é fácil!) e sem chance de merchandising no meio – uma novela que não dá tanto lucro quanto as outras de temáticas mais modernas, onde se pode enfiar todo tipo de comercial dentro da trama. Se não apoiarmos a iniciativa, contribuindo com nosso aplauso para o sucesso da novela, corremos o risco de voltarmos a ter somente programas com temáticas de crime organizado, tiroteio, morte, muito sangue jorrando na tela…É isso que vocês querem?

 

Eu não. Eu não aguento mais ver violência urbana na TV. Isso eu já vejo na realidade todos os dias. Eu quero mais é que não somente a Globo, mas outras emissoras também invistam em programação mais variada e de conteúdo. E com muita arte!

 

“A arte existe para que a realidade não nos destrua.” (Friedrich Nietzsche)

 

No que depender de mim, a nova novela das 7 será sempre muito aplaudida.

Deus Salve o Rei! 🙂

 

.

#deussalveorei #DeusSalveoRei #noveladaglobo  #noveladas7  #crítica #Nietzsche #arte #medieval #redeglobo

Publicado em Sem classificação | Comentários desativados em A novela das 7 após 7 dias

As escolhas que fazemos

As escolhas que fazemos expressam nossa Soberania. E marcam nosso destino para sempre.

Pense nisso com carinho. Pense hoje.  🙂

 

.

 

#escolhas #decisões #destino #soberania #casamento #culturacelta

Publicado em Sem classificação | Comentários desativados em As escolhas que fazemos

Lore, a sabedoria de um povo

Muitos autores escolhem uma citação de algum filósofo ou pensador famoso como mensagem de abertura de seus livros.

Eu preferi a sabedoria popular. 🙂

 

.

#casamentocelta #livrocasamentocelta #amor #provérbio #proverbioirlandes #culturairlandesa #culturacelta

Publicado em Sem classificação | Comentários desativados em Lore, a sabedoria de um povo

A cura para o mundo

“Níl leigheas ar na ngrá ach pósadh.”

[“Não há cura para o amor,
a não ser o casamento.”]

(Provérbio irlandês)

 

Esse pequeno diamante da sabedoria popular irlandesa foi a citação que escolhi para abrir meu livro “Casamento Celta: A Magia Por Trás da Aliança”. Não somente por ser o amor um poder curativo no qual eu acredito, mas também porque penso que o mundo anda precisando de mais amor e gentileza. Por toda a parte, não só nas ruas, mas também nas redes sociais, vê-se um crescimento muito grande de agressividade entre as pessoas.

Pensando em como o meu livro poderia ajudar a trazer um pouco mais de afeto a esse mundo atual tão belicoso (e tão beligerante!), saí para uma caminhada e, de repente, vi uma moto parada em uma rua de meu bairro. A mensagem pintada na frente da moto me fez sorrir…

 

 

 

 

 

 

 

Entendi o recado da sabedoria divina. Se queremos ver mais amor no mundo, temos que pensar no amor, sentir amor, querer o amor.

Afinal,  essa é uma lei mágica universal: quem pensa, atrai. 🙂

 

 

                                                       .

#casamento #amor #gentileza #gentilezaatraigentileza #paz #cura #magiacelta #druidismo #casamentocelta #leidaatração

Publicado em Sem classificação | Comentários desativados em A cura para o mundo

Quando o feitiço virou contra o feiticeiro

De todas as versões medievais do romance de Merlin e Viviane (a Dama do Lago), a minha favorita é a de Robert de Boron. Além de ser a versão escrita mais antiga, é a única que parece ter escapado à influência da misoginia medieval.

Nela, Merlin usa magia para impressionar e seduzir a Dama do Lago. Mas quem acaba encantado é ele… Como uma Sherazade do bosque, Viviane consegue converter o desejo do mago em amor verdadeiro, protagonizando uma das mais lindas histórias de amor  de todos os tempos.

………………………………………………………………………………………………………………………………………

A história desse romance está no capítulo 3 do livro Casamento Celta: A Magia Por Trás da Aliança. A ilustração é “Merlin and Vivien”, de W. Otway Cannell (1917).

Publicado em Sem classificação | Comentários desativados em Quando o feitiço virou contra o feiticeiro

O respeito que um dia as mulheres tiveram

Na Antiguidade, algumas sociedades (como a grega e a romana) eram bastante patriarcais e a condição da mulher era de submissão total ao homem. É por isso que até hoje existe esse costume do pai entrar com a filha no casamento e “entregá-la” ao noivo – a mulher é, assim,  um objeto, um bem de família passado das mãos de um homem para outro homem.

 

Na sociedade celta, as mulheres podiam escolher seus maridos – por isso, os noivos entravam sozinhos no casamento e se juntavam diante do altar. A mulher também podia se divorciar do marido sem grandes complicações, recuperando sua condição de solteira e os bens que porventura tivesse levado para o casamento. Se a mulher era de condição social inferior à do homem e não tivesse contribuído com bens materiais para a união, quando havia a separação, era calculado o tempo em que ela trabalhou no matrimônio (cozinhando, tecendo, etc) e ela recebia um valor proporcional ao tempo em que trabalhou. É o que se verifica nas Leis Brehon da antiga Irlanda.

 

Houve mulheres que atuaram como brehon, ou seja, houve juízas.  Brigh Brigaid (também grafada como Briugaid or Brughaidh) foi uma mulher que atuou como brehon na Irlanda no século I d.C. Suas decisões judiciais foram citadas como precedentes durante séculos após sua morte. Ela é mencionada no Senchus Mór, um compêndio de leis antigas da Irlanda.

 

Entretanto, com a conquista das terras celtas pelos romanos, os Druidas foram perseguidos e a cultura celta começou a desaparecer. – isso antes mesmo da Idade Média começar. Com o  avanço do Cristianismo, os costumes celtas foram sendo suprimidos, e a condição imposta à mulher foi a de submissão e dominação, conforme a visão misógina e opressora do Cristianismo romano. Então, durante a maior parte da Idade Média, a situação da mulher era de sofrimento: ter de  suportar um casamento que não escolheu  – e muitas vezes com cônjuges agressivos e sádicos.

Um marido ciumento espanca a esposa enquanto vizinhos observam, omissos. Imagem de um manuscito medieval holandês.

 

Foi somente com o surgimento do amor cortês no fim da Idade Média que esse conceito começou a mudar: uma nova visão, surgida no florescente reino da Aquitânia, com trovadores e artistas, que reverenciavam a mulher com poesia e arte, e esperavam dela o aceite de seu amor. O termo cortês significa exatamente isso: gentil, refinado, polido, com  modos de corte. Assim teria que ser um homem  se quisesse conquistar uma mulher.

Sem dúvida, isso foi o início da revolução feminina, o primeiro passo de uma longa jornada de volta ao respeito que um dia as mulheres tiveram em sociedades nobres como a celta.

 

 

Publicado em Sem classificação | Deixe um comentário

O amor cortês: elevação da mulher na Idade Média e início da emancipação feminina

A arte de cortejar a mulher, por meio de poemas e galanteios obter o seu “sim” – o amor cortês – surgiu na segunda metade da Idade Média. Antes disso, a violência física e verbal contra a mulher era considerada “normal”. Por toda a Europa, as agressões domésticas levavam mulheres a preferir a morte.

“Graças à revolução amorosa, os homens refinaram-se, poliram-se, tornaram-se um pouco mais civilizados, corteses, aprendendo a cortejar a dama até onde ela o permitisse. Elas então passaram a dar a palavra final. Hoje, graças a isso, sem o sim feminino, sem o seu consentimento, não há amor, não há romance, não há paixão. Poder dizer sim, poder não: esse foi a mais notável contribuição medieval aos tempos vindouros. E se hoje, no mundo ocidental, elas ainda estão galgando posições em busca de igualdade de condições, devemos precisar o primeiro passo em direção à essa emancipação: o amor cortês, carinhoso e gentil, criado pelos medievais.”1

1 COUTINHO, Priscilla Lauret e COSTA, Ricardo da. Entre a Pintura e a Poesia: o nascimento do Amor e a elevação da Condição Feminina na Idade Média. http://www.ricardocosta.com/artigo/entre-pintura-e-poesia-o-nascimento-do-amor-e-elevacao-da-condicao-feminina-na-idade-media

Publicado em Sem classificação | Deixe um comentário

Hoje é Dia Mundial da Gentileza

A ideia de um dia para celebrar (e relembrar) a necessidade de um mundo mais gentil  surgiu numa conferência em Tóquio em 1996,  com grupos que propagavam a ideia da gentileza. A criação oficial do movimento foi no ano de 2000.

Aqui no Brasil, nosso grande mestre na arte da gentileza foi, e sempre será, José Datrino, mais conhecido como o “Profeta Gentileza”. Ele costumava pintar, em pilares de viadutos e pontes, frases com chamadas para sua filosofia. Hoje, suas pinturas são tombadas como patrimônio cultural. Alex Nicolaeff (diretor do Departamento de Patrimônio Cultural do Rio de Janeiro em 2000) comparou os escritos do Profeta à arte rupestrpor sua diagramação inteligente e profundidade temática. O professor Leonardo Guelman, da UFF, diz que a obra de José Datrino é um “livro urbano, uma obra única”.

O profeta pintou seus murais entre 1980 e 1990. Quando chamado de louco por outras pessoas, o Profeta Gentileza respondia: “”Sou maluco para te amar e louco para te salvar”.

Vamos seguir os ensinamentos do Profeta Gentileza. Dê um sorriso, diga uma palavra simpática, seja gentil… Gentileza é muito mais simples do que se imagina. E, como dizia o Profeta, “atrai mais gentileza”. 🙂

 

Publicado em Sem classificação | Deixe um comentário

Fale-me de amor…

2017 foi um ano difícil. Crise política e ecônomica (resultado da crise moral que vemos hoje, no governo e na sociedade civil), desemprego, sofrimento, desilusão…

Será que é assim que queremos nos lembrar deste ano? Será que não haverá nada de bom que possamos salvar deste tempo para contruirmos um tempo melhor?

Se não há nada de bom, será que conseguiríamos pelo menos tentar fazer algo bonito para levar para 2018?

Foi dessa forma que eu comecei a escrever as primeiras linhas deste meu livro. Busquei, na raiz de minha fé druídica, a inspiração para pensar em um futuro melhor – não só para mim, mas para as pessoas que me cercam, as pessoas que eu amo.

Lembrei-me de como os antigos celtas se importavam com suas famílias: os clãs eram a base da sociedade celta. E o casamento era o início de uma família e a união de dois clãs, aumentando, assim, a teia de relações de um reino.

Para os antigos celtas, as relações pessoais e sociais eram baseados em valores como verdade, fidelidade, lealdade, coragem, honra… Valores que parecem estar desaparecendo nos dias de hoje.

De repente, percebi que uma alegria nova começava a encher o meu coração a cada página escrita, a cada história recontada. Lembrei-me de que magia é algo que se pratica  – se queremos transformar o mundo, temos que praticar essa transformação.

Escrever este livro – Casamento Celta: A Magia por Trás da Aliança  – transformou minha vida. Consegui levar esperança e beleza para as pessoas que leram minhas histórias – e isso me fez feliz.

Desejo, de todo o meu coração, que este livro continue a espalhar muitos momentos de encantamento e felicidade para muitas outras pessoas. E que a soma de todos esses momentos seja um tempo melhor para todos nós.

 

Bênçãos dos Antigos.

Bandrui de Gergóvia  – Autora

 

 

 

 

 

Publicado em Sem classificação | Deixe um comentário